Carta aberta a António Guterres, Angela Merkel, elites de “Bambi” e políticos de Teltow, (Berlin, Brandenburg)

Segundo a revista italiana “Famiglia Christiana”, com o que Roma deita no lixo poderia alimentar-se um milhão de pessoas e com o que Itália deita no lixo poderia alimentar-se o dobro da população de Itália. Em quase 30 anos que vivi a maior parte do tempo em Itália e nos 4 continentes onde trabalhei, nunca vi nada que se parecesse com o que vejo todos os dias em Teltow: alimentos e objetos de valor em perfeito estado deitados para o lixo. A menos de 50 metros do meu depósito do lixo estão dois contentores para reciclagem de vidros e tecidos. Só num dia retirei 35 garrafas de vidro do lixo geral e 15 peças de roupa para as levar para a respetiva reciclagem. Minha mãe dizia que deitar comido no lixo 🚮 era um pecado. Eu digo que o que vejo fazer em Teltow é um crime contra a humanidade 60 vezes o pior que se cometeu no tempo de Hitler: em 20 anos de nazismo o pior que se fez foi a morte de 6 milhões de judeus, ciganos, ladrões e “criminosos” para a ideologia nazista, quase todos inocentes ou heróis que participaram a 40 atentados para matar Hitler. Hoje morrem por ano 6 milhões de crianças com fome e doenças curáveis, 12,6 milhões por poluição, (fonte: ONU). Um crime contra a humanidade que mata 60 vezes os mortos do tempo de Hitler, em minha opinião todos mais inocentes de muitos dos condenados à morte pela justiça do tempo de Hitler.

Atendendo a que António Guterres é o político mais potente e mais sensível a estas injustiças, atendendo a que Angela Merkel é depois de António Guterres a política mais potente e mais sensível à solidariedade com os mais desgraçados e vítimas inocentes, peço-lhes que façam qualquer coisa, ao menos um discurso de 3 minutos na Internet a pedirem mais “RRR=Reciclagem-Reutilização-Reconversão”.

Atendendo a que “Bambi” foi o melhor programa de TV de toda a minha vida, o mais sensível e com melhores prémios para as personalidades mais empenhadas nas melhores causas para um mundo melhor, ofereço-lhes a minha colaboração gratuita para qualquer acção de voluntariado e beneficência ao serviço desta causa: “RRR=Reciclagem-Reutilização-Reconversão” ou de outras que contribuam a salvar milhões de vítimas inocentes da poluição, fome, doenças curáveis, criminalidade, terrorismo e guerras.

Atendendo a que no comune de Teltow vi os piores “crimes contra a humanidade” com alimentos e objetos deitados no lixo em vez de serem reciclados e conheço um espaço que me parece ideal para a “RRR=Reciclagem-Reutilização-Reconversão”, peço a cedência temporária para fazer as minha experiências de “RRR=Reciclagem-Reutilização-Reconversão”, converter lixo em arte, fazer leilões de objetos recolhidos e sensibilizar a população para maior “RRR=Reciclagem-Reutilização-Reconversão”, darem 50 passos para deitarem os vidros e roupas nos respetivos depósitos para a reciclagem.

ONU, UNESCO, Lucien Muñoz, professor de sociologia, Brasília e Rio de Janeiro

O artigo do Representante da UNESCO no Brasil, Lucien Muñoz, (1), dá uma visão de Brasília completamente oposta ao meu professor de sociologia, (1965?). Afinal Brasília é exemplo da pior ou melhor cidade do mundo?  Segundo o meu professor de sociologia, Brasília era o pior exemplo da pior cidade do mundo, feita por burocratas ignorantes dos gostos da gente, sem bares, restaurantes, divertimentos, pontos de convívio, precisamente ao contrário do Rio de Janeiro, nascido e crescido ao gosto da gente que ali vivia. Quem tem razão: o meu professor de sociologia ou elite da ONU?

Recentemente li a notícia de que a maioria dos políticos e muitas elites da economia e da administração pública de Brasília tem a sua residência no Rio de Janeiro e segunda residência em Brasília só para o trabalho. Tinha razão o meu professor de sociologia ou o Representante da UNESCO no Brasil, Lucien Muñoz? 

(1)  ” … uma das cidades mais … pelo qual recebeu da UNESCO o título de Patrimônio Cultural da … na solicitação de providências para um melhor planejamento urbano e, … uma das cidades mais admiradas do mundo, por seu valor excepcional universal, motivo pelo qual recebeu da UNESCO o título de Patrimônio Cultural da Humanidade. O reconhecimento à genialidade, à ousadia e à inovação do projeto urbanístico do Plano Piloto, de autoria de Lúcio Costa, veio cedo, em 1987, quando a cidade tinha apenas 27 anos. Na época, o mundo se surpreendeu com a inscrição do primeiro monumento moderno na Lista do Patrimônio Mundial. A entrada de Brasília nessa lista privilegiada representou um enorme exercício de reflexão e uma grande responsabilidade para a UNESCO, por ser uma cidade muito nova, em processo de formação e com suas atividades urbanas em pleno desenvolvimento. Havia ainda, naquela ocasião, a excepcionalidade da inexistência de proteção em nível federal. O tombamento, realizado pelo IPHAN, aconteceu somente em 1990. Até então, a cidade contava apenas com a proteção no âmbito do Distrito Federal. A despeito dos desafios e do ineditismo da candidatura para a própria UNESCO, que até então priorizava a apreciação de cidades históricas, a inscrição de Brasília foi aprovada pelo Comitê do Patrimônio Mundial, em 7 de dezembro de 1987, como notável testemunho da concepção urbanística do século XX e por representar uma obra-prima do gênio criativo humano. A história de Brasília – cuja origem remonta ao século XIX, quando surgiu a ideia da interiorização da capital do país – é marcada por desafios e por preocupações desde os seus primórdios. Logo após a inauguração da capital, Juscelino Kubitschek já manifestava sua inquietação diante da necessidade de preservação do seu projeto original e, em 1985, o governador José Aparecido de Oliveira liderou a campanha vitoriosa da candidatura de Brasília. De 1987 a 2013, a preocupação dos brasilienses, dos defensores da preservação do plano original e da própria UNESCO se intensificou fortemente. Atualmente, o Plano Piloto sofre impactos negativos provocados pelo desenvolvimento urbano acelerado, e os gestores públicos enfrentam dificuldades na busca de uma legislação capaz de compatibilizar crescimento e preservação. Como conservar as características do Plano Piloto, que deram à cidade o título internacional? Como preservar a qualidade de vida, os grandes espaços livres e as escalas desse lugar tão diferente e único aos olhos do mundo? Como aumentar o sentimento de pertencimento da população, garantindo a diversidade cultural, a mistura de saberes, culturas e expressões artísticas, trazidas por pessoas de fora que foram tão generosamente acolhidas? Como será a capital daqui a 20, 50, 100 anos, e como viverão as gerações futuras? Responder a essas perguntas com ações concretas é uma questão urgente para a população de Brasília, que deve continuar a ter motivos para se orgulhar da grandiosidade da cidade e do valor do título. É, sobretudo, um desafio para o Governo do Distrito Federal, bem como para o IPHAN e para a UNESCO, parceiros na defesa e na promoção do patrimônio histórico nacional e mundial. A UNESCO não tem poupado esforços para responder às demandas da sociedade e dos governos, mobilizando a atenção da comunidade internacional por meio de várias missões de monitoramento do estado de conservação de Brasília… A preservação do patrimônio, em todas as partes do mundo, é vista como uma oportunidade de desenvolvimento, e não como “engessamento” das cidades, como alguns críticos levam a crer. Ela serve como parâmetro, dentro do qual deve ocorrer o desenvolvimento urbano – e também humano – ordenado. Os Sítios do Patrimônio Mundial são lugares excepcionais, valorizados por turistas e por investidores, que atraem novos empregos, progresso econômico e social, mas desde que existam políticas públicas que reconheçam a sua relevância. Infelizmente o Brasil ainda não despertou para a condição especial e para o potencial de desenvolvimento local dos seus 19 Sítios do Patrimônio Mundial. A Copa das Confederações e a Copa do Mundo de Futebol, que atrairão a atenção do mundo todo para o país, representam uma boa oportunidade para mudar essa cultura. Assim, Brasília tem todas as condições de tirar proveito do título de Patrimônio Cultural da Humanidade, aliando cultura e desenvolvimento. Ainda há potencial para crescer, para que todos os brasilienses e os que aqui plantaram seus sonhos se encontrem, e se reencontrem com sua cidade e com a diversidade de suas expressões culturais, tendo como cenário suas belas paisagens e o seu lindo céu…” – Lucien Muñoz, economista e Representante da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) no Brasil: http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/about-this-office/single-view/news/brasilia_past_present_and_future_by_lucien_munoz_op_e/  https://wordpress.com/post/neoitaliano.wordpress.com/297  “Brasília, passado, presente e futuro”, Lucien Muñoz – Unesco.